sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Capital Humano
Eu frequento um pet shop e um dia conversando com o dono eu comentei que em um único mês cheguei a gastar R$ 800,00 lá comprando ração e remédios para meus pets. Perguntei se eles possuem um controle de quanto cada cliente gasta para dar descontos ou brindes aos melhores clientes. Como profissional de marketing dei várias ideias mas o comentário dele me chocou: “Não me interessa fazer nada disso porque tenho mais de 3 mil clientes, não preciso me preocupar”.
Primeiro pensei: que grosso! Depois pensei: que burro!
Ter muitos clientes e não se preocupar em sequer identificar os mais leais , que estão lá toda semana interagindo com a loja e depositando confiança, significa o mesmo que desprezá-los e dizer: “Não preciso de vocês, se vocês forem para o concorrente não me farão falta!”
Depois disso passei a gastar menos lá e comprar também em outros pet shops. A ironia foi que, pouco tempo depois, esse mesmo cara convidou meu marido para trabalhar com ele e ofereceu R$ 30,00 reais por dia. O trabalho era das 8:00 às 18:00, as vezes até as 19:00. Não fornecia vale refeição e meu marido gastava R$ 15,00 por dia no almoço, portanto sobrava R$ 15,00 no final do dia.
Eu fiquei surpresa por ele ter aceito mas ele estava todo empolgado, disse que queria aprender o trabalho, gostava muito de animais e pensava em um dia abrir um pet shop. Mas conforme os dias foram passando e foram tirando o couro dele (15 banhos por dia, entregar ração nas costas, tomar mordidas de cães e gatos, almoçar em 30 minutos, trabalhar sábados e feriados, etc) ele foi ficando cada vez mais abatido e cansado. O dono do pet shop era só sorrisos afinal quem não quer faturar 30 mil por mês e ter funcionários semi-escravos trabalhando como loucos para lhe dar lucro?
A gota dágua foi que um dia meu marido perguntou se poderia levar nossos 02 cachorros para tomar banho lá no HORÁRIO DE ALMOÇO dele, disseram que sim afinal quem ia ter o trabalho de lavar, secar e escovar era ele mas na hora de receber o salário descontaram R$ 80,00! (Hello? Quando eu os levo para tomar banho pago R$ 30,00 por cada um e não preciso fazer nada!)
Resolvemos então parar. Eu procuro ser sempre otimista e disse: “encare a experiência como um curso intensivo que você fez sobre como funciona um pet shop!”
No dia seguinte ele acordou cedinho e foi lá conversar com o dono e dar uma satisfação. Ele não estava e ele deixou recado com uma das funcionárias avisando que não iria mais e pedindo para o dono ligar para ele.
Alguns dias se passaram e nada. Resolvi então ligar para agradecer pela oportunidade. Embora fosse um trabalho pesado e com um salário muito baixo para se viver, a educação sempre deve vir em primeiro lugar. O dono me atendeu com a grosseria usual, mesmo assim fiz o que achava certo, agradeci em nome do meu marido e expliquei que ele já estava trabalhando por isso não conseguiu passar lá novamente para se despedir. Quanto mais eu era educada mais bravo o homem ficava!!! Ele disse que tinha aberto as portas da empresa para ele e que ele largou o emprego sabendo que ele tinha muitos cachorros para dar banho e que essa atitude era DESPREZÍVEL!!!!
Eu liguei para agradecer e dar uma satisfação para terminar a relação em tom amigável mas confesso que fiquei pasma com a grosseria e falta de educação. Meus Deus, por que ele ficou tão bravo????
Mas depois refletindo a respeito eu conclui que fui injusta, afinal quem não ficaria bravo em perder um escravo que por míseros R$ 15,00 por dia que entregava sacos de 15 kilos de ração nas costas e dava banho em trocentos cachorros e GATOS, levando mordidas e arranhões? Quem não ficaria chateado se no lugar de um homem sério de 52 anos, ex-bancário, tivesse que contratar um moleque de 18 anos pois apenas garotos que moram com os pais conseguem viver com um salário desses? Quem não ficaria chateado em ter um alto turn over de funcionários na sua loja porque ninguém quer trabalhar o resto da vida para comer apenas pão com manteiga enquanto o chefe aproveita a vida e vai surfar em Florianópolis?
Bom, o que posso dizer é que nesses mais de dez anos que trabalho como empresária a conclusão que cheguei é que vale mais a pena pagar um valor justo para reter um bom funcionário do que pagar pouco e ficar sempre na mão de aventureiros. Eu no lugar dele, certamente teria feito diferente, teria feito uma proposta decente para retê-lo. Mas cada um com seus problemas e com as consequências de suas escolhas né?
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Montanha em Chamas
Imagine-se na seguinte situação. Você está andando em uma montanha indo em direção ao cume com um grupo de pessoas. De repente um grande incêndio começa na base da montanha e rapidamente se move em sua direção engolindo tudo o que vê pela frente. As chamas são imensas e engolem árvores inteiras em um piscar de olhos. Você se sente no inferno e o calor é insuportável. Instintivamente você e o seu grupo começam a correr rumo ao topo da montanha na esperança de que o fogo não chegue até lá. É uma corrida por suas vidas mas o fogo é mais rápido do que vocês. Então você percebe que não conseguirá correr mais rápido do que o fogo, que não conseguirá chegar no topo da montanha a tempo. O que você faria então?
Esta situação realmente aconteceu. Em seu livro “ Young Men and Fire”, Norman Maclean (1992) reconta o grande incêndio de Mann Gulch de agosto de 1949. Dezesseis pessoas ficaram encurraladas na montanha quando o incêndio começou. Enquanto desesperadamente elas tentavam salvar suas vidas correndo em direção ao cume da montanha, Wag Dodge fez algo impressionante. Ele iniciou seu próprio fogo. Isso mesmo! Quando ele percebeu que não conseguiria chegar ao topo antes do fogo ele parou e iniciou um pequeno incêndio e assim que o fogo consumiu tudo ele entrou na área queimada, sentou e esperou o inferno vir em sua direção.
Quando o inferno chegou o fogo devorou tudo ao redor da área queimada mas não entrou na área em que Dodge estava pois não havia mais nada lá para queimar. Ele tentou convencer os outros a entrarem na área queimada com ele mas eles acharam que ele estava louco e continuaram a correr. Todos morreram. Dodge agiu para mudar a situação ao invés de deixar que a situação controlasse seu destino. Isso é o que os empreendedores fazem.
Podemos tirar várias lições dessa história e sobre como ela nos ajuda a entender o comportamento empreendedor. Há uma lição aqui também sobre a natureza de assumir riscos que há no processo empreendedor. No caso de Dodge foi necessário pensar racionalmente e agir corajosamente, mesmo sem o apoio dos demais. Na vida empreendedora muitas vezes o empreendedor terá que fazer valer sua decisão a despeito do que os outros pensem. Lógica e coragem serão duas características necessárias e muitas vezes aqueles que não estão diretamente envolvidos no processo empreendedor não entenderão suas decisões pois o que vemos está intrinsecamente relacionado ao lugar em que estamos.
Para a maioria das pessoas, empreender significa ter coragem. Não obstante o empreendedor não enxerga isso pois ele vê a lógica, a racionalidade do empreendimento e por isto sabe que não está se lançando em uma aventura rumo ao desconhecido. Ele tem visão estratégica a longo prazo, ou seja, ele vê o que os outros não vêem. Ele está disposto a assumir riscos calculados pois já analisou previamente as possíveis ramificações de seus atos e sente-se confortável com os riscos assumidos. A percepção sobre os riscos está no coração do que é o empreendedorismo porque ele está intimamente relacionado aos elementos de mudanças externas e das ações que essas mudanças exigem.
Esta situação realmente aconteceu. Em seu livro “ Young Men and Fire”, Norman Maclean (1992) reconta o grande incêndio de Mann Gulch de agosto de 1949. Dezesseis pessoas ficaram encurraladas na montanha quando o incêndio começou. Enquanto desesperadamente elas tentavam salvar suas vidas correndo em direção ao cume da montanha, Wag Dodge fez algo impressionante. Ele iniciou seu próprio fogo. Isso mesmo! Quando ele percebeu que não conseguiria chegar ao topo antes do fogo ele parou e iniciou um pequeno incêndio e assim que o fogo consumiu tudo ele entrou na área queimada, sentou e esperou o inferno vir em sua direção.
Quando o inferno chegou o fogo devorou tudo ao redor da área queimada mas não entrou na área em que Dodge estava pois não havia mais nada lá para queimar. Ele tentou convencer os outros a entrarem na área queimada com ele mas eles acharam que ele estava louco e continuaram a correr. Todos morreram. Dodge agiu para mudar a situação ao invés de deixar que a situação controlasse seu destino. Isso é o que os empreendedores fazem.
Podemos tirar várias lições dessa história e sobre como ela nos ajuda a entender o comportamento empreendedor. Há uma lição aqui também sobre a natureza de assumir riscos que há no processo empreendedor. No caso de Dodge foi necessário pensar racionalmente e agir corajosamente, mesmo sem o apoio dos demais. Na vida empreendedora muitas vezes o empreendedor terá que fazer valer sua decisão a despeito do que os outros pensem. Lógica e coragem serão duas características necessárias e muitas vezes aqueles que não estão diretamente envolvidos no processo empreendedor não entenderão suas decisões pois o que vemos está intrinsecamente relacionado ao lugar em que estamos.
Para a maioria das pessoas, empreender significa ter coragem. Não obstante o empreendedor não enxerga isso pois ele vê a lógica, a racionalidade do empreendimento e por isto sabe que não está se lançando em uma aventura rumo ao desconhecido. Ele tem visão estratégica a longo prazo, ou seja, ele vê o que os outros não vêem. Ele está disposto a assumir riscos calculados pois já analisou previamente as possíveis ramificações de seus atos e sente-se confortável com os riscos assumidos. A percepção sobre os riscos está no coração do que é o empreendedorismo porque ele está intimamente relacionado aos elementos de mudanças externas e das ações que essas mudanças exigem.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
O Empreendedor
O que distingue um empreendedor? Como identificamos um? O que define a atitude empreendedora? E o tão falado “espírito empreendedor”? Para entendermos o que distingue uma pessoa comum de um empreendedor temos então que entender que esse estudo nada mais é do que um esforço para compreender e explicar o escopo das realizações do ser humano. E o que aprendemos contribuirá para dar molde a uma disciplina acadêmica com significado tão complexo capaz de transformar para sempre a vida de um aluno.
O guru de administração Peter Drucker (1985) afirma que o empreendedorismo é uma prática. É algo que se faz, ou seja, está intimamente relacionada ao ato. Portanto o primeiro passo para identificar um empreendedor é estudar seus atos, o que ele já fez, o que já concretizou. Logo, se a definição de empreendedor está intimamente ligada ao que ele já fez, então podemos afirmar que:
1. O empreendedor é aquele que percebe as oportunidades que os outros não vêem;
2. O empreendedor é aquele que age com paixão para atingir um propósito;
3. O empreendedor é aquele que vive pró - ativamente sempre;
4. O empreendedor é aquele que sente um imenso prazer com a adrenalina dos altos e baixos da jornada empreendedora;
5. O empreendedor é aquele que não tem medo de correr riscos calculados;
6. O empreendedor é aquele que consegue ter uma visão 360 graus de todo o negócio e ao mesmo tempo sabe de todos os detalhes de cada área da empresa sem perder o foco e a concentração;
7. O empreendedor é aquele que sabe selecionar pessoas e delegar tarefas;
8. O empreendedor é aquele que é tão apaixonado pela empresa que muitas vezes a coloca em primeiro lugar em detrimento de sua vida pessoal.
Analisando as características acima fica fácil entender porque o empreendedor não é o homem comum que espera que a sociedade o sustente através de um emprego formal. Para ele ter um emprego significa sugar o sucesso de outrem já que a empresa já existia antes dele e o mérito de seu sucesso não é seu. Ele não se satisfaz trabalhando para uma empresa que não construiu com suas próprias mãos, ele não se satisfaz sendo apenas mais um em uma equipe, ele sente a necessidade de liderar e criar seu próprio espaço. Ele precisa ter as rédeas de seu próprio destino. Ele precisa da liberdade para moldar, criar e recriar sua empresa.
O empreendedor é um ser altamente pró-ativo que vai atrás de suas próprias oportunidades. Provavelmente as pessoas que vêem de fora acham que os empreendedores são todos loucos suicidas. Elas não percebem que os riscos são estudados e calculados antes de serem assumidos. Para a pessoa comum que sente necessidade de segurança, de horários de trabalho fixos e de garantias de remuneração no final do mês, empreender é algo impensável. Falta-lhe ousadia, falta-lhe coragem e acima de tudo falta-lhe visão estratégica. É preciso ter estômago para aguentar os altos e baixos da jornada empreendedora. É preciso gostar de adrenalina. É por isso que gosto de comparar empreendedores com surfistas que perseguem ondas gigantes pelo mundo, penso em parquedistas e praticantes de Base Jump, penso em snowboarders. São pessoas focadas que planejam antes de agir e que possuem estômago forte para ir até o fim. E você, tem perfil empreendedor?
O guru de administração Peter Drucker (1985) afirma que o empreendedorismo é uma prática. É algo que se faz, ou seja, está intimamente relacionada ao ato. Portanto o primeiro passo para identificar um empreendedor é estudar seus atos, o que ele já fez, o que já concretizou. Logo, se a definição de empreendedor está intimamente ligada ao que ele já fez, então podemos afirmar que:
1. O empreendedor é aquele que percebe as oportunidades que os outros não vêem;
2. O empreendedor é aquele que age com paixão para atingir um propósito;
3. O empreendedor é aquele que vive pró - ativamente sempre;
4. O empreendedor é aquele que sente um imenso prazer com a adrenalina dos altos e baixos da jornada empreendedora;
5. O empreendedor é aquele que não tem medo de correr riscos calculados;
6. O empreendedor é aquele que consegue ter uma visão 360 graus de todo o negócio e ao mesmo tempo sabe de todos os detalhes de cada área da empresa sem perder o foco e a concentração;
7. O empreendedor é aquele que sabe selecionar pessoas e delegar tarefas;
8. O empreendedor é aquele que é tão apaixonado pela empresa que muitas vezes a coloca em primeiro lugar em detrimento de sua vida pessoal.
Analisando as características acima fica fácil entender porque o empreendedor não é o homem comum que espera que a sociedade o sustente através de um emprego formal. Para ele ter um emprego significa sugar o sucesso de outrem já que a empresa já existia antes dele e o mérito de seu sucesso não é seu. Ele não se satisfaz trabalhando para uma empresa que não construiu com suas próprias mãos, ele não se satisfaz sendo apenas mais um em uma equipe, ele sente a necessidade de liderar e criar seu próprio espaço. Ele precisa ter as rédeas de seu próprio destino. Ele precisa da liberdade para moldar, criar e recriar sua empresa.
O empreendedor é um ser altamente pró-ativo que vai atrás de suas próprias oportunidades. Provavelmente as pessoas que vêem de fora acham que os empreendedores são todos loucos suicidas. Elas não percebem que os riscos são estudados e calculados antes de serem assumidos. Para a pessoa comum que sente necessidade de segurança, de horários de trabalho fixos e de garantias de remuneração no final do mês, empreender é algo impensável. Falta-lhe ousadia, falta-lhe coragem e acima de tudo falta-lhe visão estratégica. É preciso ter estômago para aguentar os altos e baixos da jornada empreendedora. É preciso gostar de adrenalina. É por isso que gosto de comparar empreendedores com surfistas que perseguem ondas gigantes pelo mundo, penso em parquedistas e praticantes de Base Jump, penso em snowboarders. São pessoas focadas que planejam antes de agir e que possuem estômago forte para ir até o fim. E você, tem perfil empreendedor?
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Por que empreender?
Empreender significa transformar uma idéia em um negócio, trazer para o mundo real algo que só existia no papel. Empreender significa acima de tudo ter a coragem e a ousadia de desbravar novos caminhos, de assumir as rédeas do seu próprio destino ao invés de seguir o caminho comum que é procurar emprego. Enfim, empreender não é para todos, apenas para os que ousam sonhar alto e arriscar tudo em nome de um sonho.
O empreendedorismo precisa ser estudado profundamente pois proporciona ao ser humano uma fascinante jornada em busca do auto-conhecimento, da superação de seus limites e da expansão de suas habilidades técnicas.
O resultado é revertido para a sociedade que usufrui de novos produtos e serviços, muitas vezes cobrindo nichos até então inexplorados. O empreendedorismo também reverte-se em oportunidades de empregos e contribuições tributárias, ou seja, beneficia a sociedade em muitas esferas.
O empreendedorismo precisa ser estudado profundamente pois proporciona ao ser humano uma fascinante jornada em busca do auto-conhecimento, da superação de seus limites e da expansão de suas habilidades técnicas.
O resultado é revertido para a sociedade que usufrui de novos produtos e serviços, muitas vezes cobrindo nichos até então inexplorados. O empreendedorismo também reverte-se em oportunidades de empregos e contribuições tributárias, ou seja, beneficia a sociedade em muitas esferas.
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